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Escrito em 02/04/2018

São José: Homem Justo e Bondoso

A vida de José tem alguma coisa a ver conosco?

Mons. João Daiber

Mons. João Daiber

Biblista. Vigário da Paróquia São José, Setor Sul.

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Depois de mostrar que São José era descendente de Davi, a quem Deus prometeu que sua descendência iria reinar para sempre, e também descendente de Abraão, a quem Deus anunciou que todos os povos da terra seriam abençoados por meio dele, São Mateus relata uma nova etapa na história da salvação, com as seguintes palavras: “Ora, a origem de Jesus Cristo foi assim...” (cf. Mt 1,18). 

Maria, a mãe de Jesus, estava prometida em casamento a José, mas ela ficou grávida por obra do Espírito Santo. Mateus destaca que José era um homem “justo” e isso deve ser entendido à luz do sentido da palavra “justo”, ao longo do Evangelho, em que Jesus fala da justiça do Reino de Deus, de justiça maior que a justiça dos mestres da Lei, da necessidade de ser justo como Deus é justo. 

José não queria denunciar Maria publicamente, pois ela seria apedrejada, conforme a Lei.  Ele, então, resolveu repudiá-la em segredo. Muito já foi escrito sobre essa suposta tragédia na vida de José, da sua decepção, das suas mágoas... No entanto, se ele iria deixar Maria “em segredo”, parece que ninguém ainda tinha percebido que Maria estava grávida. Como então pôde José ter percebido isso? Teria que ser Maria a contar para ele o acontecido. José claramente conhecia e confiava em Maria e, por isso, acreditou na palavra dela, mas ele ficou “com medo” de se casar com ela. 

José chegou à conclusão de que teria que se separar da sua futura esposa, por ela ser escolhida por Deus como o instrumento para a realização das profecias anunciadas durante séculos a respeito do “ungido do Senhor”, o Cristo. Como poderia José ter a ousadia de pensar em casar com Maria. Mas o Anjo do Senhor apareceu para José em sonho e lhe falou: “Não fiqueis com medo” (cf. Mt 1,20). Anunciou também a ele que Deus o havia escolhido para a missão de “dar o nome” ao menino: Jesus, “Deus salva”. 

Para alguém ser considerado membro do povo judeu, teria que nascer de uma mãe judia, descendente de Abraão. Era óbvio quem era a mãe, mas não era tão óbvio quem era o pai.  Normalmente, depois do nascimento, o pai tomava a criança nos seus braços, agradecia a Deus e “dava um nome” à criança. Assim reconhecia, perante a Lei, que o filho era dele.  José, descendente da casa de Davi, se tornou, então, “legalmente”, o pai de Jesus. 

Deus, que avisou qual deveria ser o nome do menino, também escolheu José para dar a seu Filho uma família humana e assumir a missão de criar, proteger e apoiar a criança, dando a ela um lar. E isso José fez: ele protegeu Jesus do massacre dos inocentes de Belém, acabou levando o menino e sua mãe para Nazaré, ensinou para ele a profissão de carpinteiro e, como todo pai judeu, instruiu-o sobre a história de seu povo e o introduziu na participação do culto e na compreensão das escrituras sagradas.

E nós? A vida de José tem alguma coisa a ver conosco?  Normalmente, não nos aparecem anjos para nos avisar o que devemos fazer, mas, certamente, Deus confia a cada um de nós uma missão semelhante à de José. Outros filhos e filhas de Deus precisam de ajuda, de apoio ou de proteção e Jesus mesmo garante que ele está presente neles. Quem é “justo”, como José, talvez não perceba essa presença na hora de decidir o que fazer, mas isso determinará o futuro de cada um (cf. Mt 25). Que possamos viver envolvidos como José na história de Deus, realizando a missão para a qual Deus chama a cada um: procurar, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça (cf Mt 6,33).

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