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Escrito em 04/05/2019 por Fúlvio Costa

O lugar exato de Nossa Senhora na vida de fé

Maio, tempo propício para conhecer Nossa Senhora um pouco mais

Imagem Homilias

Estamos no mês de maio, dedicado às mães e a Maria de Nazaré, mãe de Jesus e nossa. É natural para o cristão católico acolher Maria com carinho maternal, desde o berço. Uns menos, outros mais. É importante, porém, que paremos para pensar sobre qual o lugar de Maria em nossa vida de fé. O que podemos semear em nossos corações com base na experiência singular de fé dessa mulher? O papa Francisco, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, que aconteceu no Panamá, no início do ano, disse que “com seu sim Maria é a mulher que maior influência teve na história. Sem redes sociais foi a primeira influencer, a influencer de Deus”.

Para o mariólogo irmão Diego Joaquim, CSsR, “toda devoção sadia a Maria leva a Jesus”. É fundamental, todavia, de acordo com ele, que todo cristão católico saiba que não há Cristo sem cruz, e nem Maria sem Jesus, isto é: Cristo é o núcleo da nossa fé. “Como afirma a Constituição Dogmática Lumen Gentium (Luz dos Povos), a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui a única mediação de Cristo; manifesta antes a sua eficácia”. O religioso explicou que “toda devoção a Maria leva a Jesus”, mas ressaltou que quando há uma devoção que atribui a Maria poderes que não são dela, e pior, que não fala da Boa-Nova de Jesus, é sinal que não se trata de uma verdadeira atitude de piedade cristã”.

Irmão Diego disse que, como tudo na vida, conhecer profundamente Nossa Senhora exige esforço. Por isso, para saber o exato lugar de Maria na vida cristã, é necessário o esforço da oração e da contemplação. Mais do que isso, precisamos ler a Palavra de Deus e rezar com fundamento nela, a fim de que compreendamos o lugar de Maria na história da salvação. “Quando tomamos essa atitude, somos capazes de entender que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida, e que Maria participa do mistério de Deus de forma especial, mas ao mesmo tempo humana”, afirmou. Àqueles que querem aprofundar um pouco mais, ele sugere rica e boa literatura sobre a temática. “No campo da Mariologia – área da teologia que pesquisa sobre Maria de Nazaré, temos grande acervo que nos ajuda a evitar dois grandes erros que podem ocorrer na devoção mariana: o maximalismo, que é atribuir a Maria um louvor que não é devido a ela, e o minimalismo, que é não reconhecer o papel de Maria na história da salvação.”

A santidade cultivada na simplicidade

Embora Maria tenha se tornado grande por ter vivido de acordo com os planos de Deus, não foi somente em grandes acontecimentos que ela nutriu uma vida de fé exemplar. Para o entrevistado, isso é o que há de mais extraordinário em Nossa Senhora. E é aquilo que deve nos conduzir a também seguir os seus passos rumo a Jesus. “O que mais surpreende e encanta em Maria de Nazaré é o fato de ela viver o extraordinário em sua vida cotidiana. Como nos mostra o Evangelho, ela manteve uma atitude de profunda confiança em Deus, mesmo que não compreendesse o que estava acontecendo à sua volta. Uma confiança silenciosa, mas firme e, ao mesmo tempo, ativa, atenta, discretamente presente. E é neste cotidiano que compreendemos a afirmação da Igreja na Lumen Gentium, retomando Santo Ambrósio: ‘a Mãe de Deus é o tipo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo’”.

Precisamos cultivar em Maria a confiança, a obediência à vontade de Deus, atitude que, conforme salientou irmão Diego, ficou explícita no episódio da Anunciação e que resultou não somente no mistério da Encarnação do Verbo, mas em um movimento de profunda generosidade que foi a visita-ajuda da jovem Maria à sua prima Isabel, que ficou grávida na velhice. “Aprendemos também com ela a virtude da paciência e da perseverança em sua missão de mãe e esposa, mesmo enfrentando dificuldades que não conseguia compreender”, enfatizou.  Também é inspirador em Maria sua coragem e força materna de permanecer em pé diante da cruz, e de perseverar com os discípulos na espera do Ressuscitado, inclusive, sendo uma presença orante e discreta na Igreja nascente. Diante de tudo isso, Maria é para nós, conforme declarou o entrevistado, citando a Lumen Gentium, “membro eminente e inteiramente singular da Igreja, exatamente para inspirar a cada um de nós a vivermos a nossa vida de fé e de discípulos de Jesus”. Por fim, é indispensável entender que Maria é mãe de todos nós porque ela foi escolhida para a missão sublime de ser mãe do Salvador. Por isso, foi concebida sem pecado. “É o dogma da Imaculada Conceição”, conforme disse Diego. Ela respondeu livremente ao Anjo e assim tornou-se Mãe de Jesus. “Nós chamamos Maria de Mãe por causa de Jesus: foi o próprio Filho de Deus, no alto da cruz, como lemos no Evangelho de São João, quem nos indicou assim. E fez isso para nos indicar um modelo de fidelidade e também de proteção no caminho da fé”, justificou.

CURIOSIDADES

- Por que Ave Maria? Na tradução seria “Alegra-te, Maria”. Foi a saudação do Anjo a Maria.

- Maio é considerado o mês mariano porque existia uma tradição antiga na Grécia e em Roma de, no início da primavera (em maio), fazer uma devoção a duas divindades femininas. Quando o Cristianismo se tornou religião oficial do Império Romano, no século III e IV, o culto foi aos poucos sendo substituído por homenagens a Maria, Mãe de Deus.

- A Assunção de Maria aos céus é um dogma de fé. É o dogma mais recente, proclamado apenas em 1950 pelo papa Pio XII. Com esse dogma, a Igreja afirma que Maria de Nazaré, ao fim de sua vida terrestre, foi assumida em corpo e alma na glória celeste. Interessante essa expressão “assumida”, significa dizer que ela participa da Ressurreição de Cristo.

- Não há dados precisos sobre quantos títulos marianos existem. Mas eles são resultado de várias expressões da fé do povo que evidencia, em primeiro lugar, o mistério de Deus na vida de Maria (Imaculada, Assunção, Luz, Visitação) ou locais de sua aparição (Lourdes, Fátima, Aparecida) e ainda experiências do povo de Deus (Bom Parto, Boa Morte, Perpétuo Socorro, Paz).

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