Dom Ricardo Hoepers: “Novas Diretrizes da Ação Evangelizadora terão o DNA da sinodalidade”
Em entrevista ao Regional Centro-Oeste, o secretário geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers, abordou alguns pontos que perpassam a pauta de trabalhos da 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, que acontece em Aparecida (SP) de 15 a 24 de abril. Sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) que deverão ser aprovadas nesta semana, Dom Ricardo destacou que a experiência sinodal da Igreja no Brasil, desde os tempos da ação católica, passando pelo exercício prático da sinodalidade nos conselhos paroquiais, nas províncias, nos regionais e na própria CNBB, sem dúvidas, são fundamentais para que tenhamos novas DGAE com as marcas do processo sinodal. “Durante o processo de construção das novas Diretrizes, foram considerados todos aqueles que contribuíram, todas as experiências que foram compartilhadas, por isso as nossas Diretrizes terão o DNA Sinodal, isto é, dentro delas está toda a perspectiva da vivência sinodal no Brasil e da comunhão com a Igreja no mundo inteiro”. Conforme o bispo, 90% das dioceses participaram do processo, de modo que isso reflete o histórico da Igreja no Brasil de se articular no exercício prático da sinodalidade.
Dom Ricardo também foi questionado sobre as tradicionais análises de conjuntura nacional, mundial e eclesial, que todos os anos direcionam a condução da Assembleia dos Bispos. Essas análises, segundo ele, refletem uma Igreja atenta e em sintonia com a realidade em que atua. “Elas são importantes porque nos atualizam do que está acontecendo no momento, no cenário do mundo, no Brasil e nas nossas realidades. É a Igreja que vê e que está atenta, está em sintonia com a realidade, nós não podemos ser de maneira alguma uma ilha isolada nas nossas perspectivas”. Dom Ricardo explicou que as análises influenciam porque a Igreja caminha considerando a renovação e articulação de estruturas presentes. “Não estamos falando só de estruturas passadas, mas estamos tentando renovar e articular as estruturas presentes, inclusive as próprias Diretrizes da Ação Evangelizadora tratam de conversão e esta é uma conversão necessária. Se não estamos sintonizados com o que acontece no momento, nós não seremos capazes de avaliar o que faremos no futuro, portanto, todas as análises de conjuntura social e eclesial, são um instrumento para os bispos poderem aprofundar as respostas e as demandas que estão batendo na nossa porta”.
Atenta ao que acontece no mundo, a Igreja no Brasil acompanha de perto a guerra no Irã, inclusive com uma postura de comunhão e proximidade com o Papa Leão XIV que sofreu ataques após se posicionar pelo diálogo, pela paz e pelo cessar fogo. “Os bispos são unânimes em apoiar o Papa Leão, estamos em comunhão com ele, como Igreja no Brasil e pedimos a todos os católicos que nos empenhemos na proposta que ele nos traz. O Papa foi atacado porque ele está trazendo a proposta da paz, o fim da guerra e é isso que nós precisamos levar, o Evangelho é o Evangelho de Jesus Cristo, é o Evangelho da Paz, então é um anúncio, é uma profecia e todas as nossas mensagens serão direcionadas para isso para mostrar que estamos em plena comunhão com o Papa Leão XIV e nós queremos assumir com ele a construção de um mundo mais solidário e fraterno”.
Ao Regional Centro-Oeste, a Igreja no estado de Goiás e no Distrito Federal, Dom Ricardo que também é bispo auxiliar de Brasília, dirigiu uma mensagem a todo o povo de Deus, sobretudo àqueles que se doam nas comunidades em que atuam, mas, além disso, que testemunham o Cristo com as suas vidas. “Aos nossos irmãos e irmãs que doam suas vidas à Igreja que está no Centro-Oeste do nosso país, a minha saudação e a minha gratidão, obrigado pelo trabalho que vocês realizam nas suas comunidades, muito grato pela fidelidade cotidiana, obrigado pelo testemunho que vocês dão anunciando Jesus Cristo nas pequenas coisas e, acima de tudo, agradeço vocês também no empenho às comunidades. O que seria da Igreja sem a presença firme e forte de todos vocês nas comunidades? Deus abençoe todas as famílias e caminhemos em comunhão, participação e missão, assumindo as Diretrizes que serão aprovadas pela Igreja no Brasil”.