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Homilias

Escrito em 25/05/2018

Homilia em honra a Nossa Senhora Auxiliadora

A solenidade de nossa Padroeira é um convite a olharmos para o alto e para frente

Homilia em honra a Nossa Senhora Auxiliadora

Dom Washington Cruz, Arcebispo Metropolitano de Goiânia
24 de maio de 2018

Como comunidade católica, peregrina nesta Arquidiocese de Goiânia, celebramos com especial carinho a Solenidade de Nossa Padroeira, a Senhora Auxiliadora. E nesta cidade a ela dedicada se reúne também toda a família dos filhos e filhas de Deus para colocar sob a sua proteção, suas vidas, suas alegrias, seus sofrimentos e seus projetos. Nada melhor que a palavra de Deus para centrar-nos na autêntica celebração de Maria. Eu vi uma cidade santa, a nova Jerusalém que descia do céu vestida qual esposa, enfeitada para seu esposo. Ouvimos na Primeira Leitura no Livro do Apocalipse (22), a Nova Jerusalém que desce do céu é a humanidade transfigurada pela presença de Deus, mas é também Maria. Aquela mulher que ao chegar à plenitude dos tempos com seu sim incondicional ao Espírito Santo, acolheu em seu seio a encarnação do verbo, Jesus Cristo que é a plenitude da revelação do amor infinito de Deus pela humanidade, como ouvimos na Carta aos Gálatas. 

O Evangelho nos apresentou um traço importante da vida interior de Maria: sua atitude de serviço humilde e de amor desinteressado. Sua vida a Isabel é um dos acontecimentos mais significativos da vida da jovem de Nazaré, escolhida para ser a mãe do Redentor. Ela é capaz de conceber o filho de Deus. Isabel, sua prima, também se encontrava grávida de João Batista, o precursor. Inspirada pela fé e pelo amor, a eleita de Deus partiu para a região montanhosa dirigindo-se às pressas, incansavelmente a uma cidade da Judéia. Esta é uma expressiva imagem de Maria feita peregrina enquanto ao longo de quatro ou cinco dias percorre a distância que separa Nazaré da Judéia. Sua alma arde de alegria, de ação de graças e de esperança. O encontro das duas primas que estão para serem mães constitui o primeiro ato profético do Novo Testamento. De fato, como escreve o evangelista, quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou do seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. A presença de Jesus santificou João ainda no seio de sua mãe. Isabel fez então o grande elogio à sua prima: “bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. Bem aventurada aquela que acreditou. 

Meus irmãos e minhas irmãs, Maria foi sem dúvida, a maior testemunha da fé em Cristo como ensina o Concílio Vaticano II e depois São João Paulo II. Ela avançou na peregrinação da fé, mantendo fielmente a união com o seu filho até a cruz. No início do século XX, um famoso escritor francês captou o mal estar típico do seu tempo. Mal estar esse que infelizmente continua sendo do nosso tempo. O homem moderno, dizia ele, sofre de amnésia de eternidade. E é a pura verdade, irmãos e irmãs. Hoje, na selva dos ruídos ensurdecedores e das solicitações dos olhos, da carne e da soberba da vida, o ser humano parece viver pulando de uma fonte para outra sem conseguir matar a sede da própria alma porque o homem tem sede do eterno, sede de Deus. Precisa de fé.

A solenidade de nossa Padroeira é um convite a olharmos para o alto e para frente. A nossa vida não se esgota nesta terra, mas possui o desenvolvimento e o cumprimento maravilhoso, além do cenário frágil da nossa experiência cotidiana. Olhando para Maria, podemos dizer com absoluta segurança. O melhor deve ainda chegar. O mais belo deve ainda se manifestar. Não nos esqueçamos desta verdade consoladora, meus irmãos e minhas irmãs. Nestes tempos que correm, ouvi dizer, espero que não seja uma fake News, que uma próxima novena de um certo canal de televisão, vai apresentar o amor humano, o afeto humano, a paixão, o relacionamento carnal de um avô com uma neta. Isso como coisa natural. 

"Nossa Senhora nos oferece um modelo perfeito de discípula missionária do Senhor para sermos artífices da cidade terrena e temporal sem esquecermos que somos peregrinos rumo à Pátria Celestial e eterna

Tempos que correm, mas essa é uma das coisas e tantas outras que nos fazem ficar estarrecidos, qualquer um que tenha um dedo de juízo. Olhemos para Maria, contemplemo-la como exemplo de fé e peçamos-lhe que nos alcance a graça de uma fé viva, humilde, forte, esclarecida, e comprometida. Mas, que significa ter fé? Significa acreditar em Jesus Cristo, confiar nele. Aderir a ele com o coração, a inteligência e a vontade. Isto é, com todo o nosso ser. Ninguém pode dizer que tem fé se não procura conhecer Jesus, filho da Virgem Maria, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Ter fé em Jesus é aceitar os seus ensinamentos que tem como centro o mistério da sua morte e ressurreição. Ter fé é seguir os passos de Jesus. Ter comportamentos semelhantes aos seus. É seguir uma conduta segundo os valores e preceitos do Evangelho. Todo este peregrinar na fé à semelhança de Maria que é fonte de paz, de esperança e de conforto nas dificuldades e nos sofrimentos existentes. O que nos caracteriza como cristãos é a vida de fé. Por isso, uma das lições fundamentais da Igreja consiste em educar na fé os seus filhos. Tarefa de todos os tempos ela é premente e urgente em nossos dias. Esta educação da fé começa em casa, continua na paróquia, na escola, prolonga-se no trabalho e no lazer e não deve sessar em toda parte e ao longo de toda a nossa vida. Quem tem fé tem Jesus, torna-se seu discípulo, torna-se membro do seu povo. Isto é, da sua Igreja. Celebra essa fé sobretudo em sua expressão máxima que é a sagrada eucaristia. 

Nossa Senhora nos oferece um modelo perfeito de discípula missionária do Senhor para sermos artífices da cidade terrena e temporal sem esquecermos que somos peregrinos rumo à Pátria Celestial e eterna, promotores da justiça que liberta o oprimido e da caridade que socorre o necessitado, mas sobretudo testemunha ativa do amor que edifica nossos corações. Em uma sociedade que vai perdendo como eu disse os valores, temos que transformar a realidade que nos cabe viver com a novidade do Evangelho. Não somos nós que devemos adaptar ao mundo que passa, mas o mundo que passa é que deve se adaptar ao Evangelho, à palavra de Deus que não passa. Para isso precisamos ser verdadeiramente discípulos missionários de Jesus para que nosso povo nele tenha vida. O papa Francisco, em sua visita ao Santuário de Aparecida, nos disse: queridos amigos e amigas, viemos bater à Porta da Casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu filho. Agora, como nas Bodas de Caná, ela nos pede: “fazei o que ele vos disser”. Sim, Mãe Nossa. Nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser e fazemos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus. 

Irmãos e irmãs, aprendamos na escola de Maria a viver a fé com alegria, com honradez, com firmeza, com coragem. Ó Maria, Virgem Mãe Auxiliadora, intercede por nós, reforça nossa vida de comunhão e faz com que sejamos neste mundo testemunhas de alegria e anunciadores de esperança. Ajuda-nos Mãe, a viver como discípulos missionários de Jesus. Tu dissestes sim na encarnação. Ajuda a dizer sim ao Senhor e ajuda-nos a viver a fecundidade de nossa resposta. Tu que levaste o Salvador às montanhas da Judéia, ajuda-nos a levar Jesus a nosso povo e a viver a alegria da missão. Abençoa esta Arquidiocese e esta cidade de Goiânia. Santifica os teus filhos. Os consagrados, as consagradas, os leigos e leigas, nossos jovens seminaristas, e cada um de nós. Vem em auxílio dos pobres, dos enfermos, dos que sofrem. Aumenta nossa alegria e ilumina nossa fé e dá-nos a paz. 

Amém!

Bem-vindos!

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