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Escrito em 18/03/2020 por Arquidiocese de Goiânia

Arquidiocese de Goiânia: 2º Comunicado oficial sobre o coronavírus

Os fiéis ficam dispensados da obrigação, prevista no cân. 1247, de participar presencialmente das celebrações da Santa Missa.

Imagem Homilias
Goiânia, 18 de março de 2020.
 
A Quaresma de 2020 está marcada, excepcionalmente, pela pandemia do novo coronavírus (COVID-19). A experiência deste mal comum nos revela a importância do bem comum. Por isso mesmo, evitemos abrir brechas na barragem de contenção do coronavírus, com escolhas irresponsáveis, e obedeçamos às disposições restritivas das autoridades competentes, comportando-nos com cautela e responsabilidade: “ao proteger-me, protejo os mais fracos, os mais expostos: idosos, adultos frágeis, crianças doentes”. É esse o sentido de qualquer cancelamento ou adiamento, mesmo com sacrifício pessoal e comunitário, de muitas iniciativas que fazem parte da nossa ação evangelizadora e sacramental habitual. Desta forma, considerando:
 
- o grave momento que enfrenta nossa sociedade assolada pela epidemia do coronavírus que tende, cada dia, a se alastrar e que exige atitudes concretas e eficazes para diminuírem o ritmo do contágio, a fim de que os enfermos contaminados possam ser tratados em tempo hábil, evitando os óbitos;
 
-  o perigo real e imediato de contaminação em caso de aglomeração de pessoas e a nossa preocupação pastoral com o bem-estar não só espiritual, mas também físico, do povo de Deus sob os nossos cuidados;
 
-  as orientações dos profissionais de saúde, a quem também devemos ouvir nas situações em que são os especialistas. Eles devem ser percebidos como instrumentos de Deus para o bem do povo, conforme Eclesiástico 38,9.12: “Meu filho, se estiveres doente não te descuides de ti, mas ora ao Senhor, que te curará (...). Em seguida dá lugar ao médico, pois ele foi criado por Deus, que ele não te deixe, pois sua arte te é necessária”;
 
- que vivemos tempos difíceis que exigem de nós uma vivência especial da Quaresma como efetivo tempo de Oração, para melhor percebermos e acolhermos a vontade de Deus, tempo de Jejum e sacrifício como participação na caminhada do Senhor Jesus que se fez obediente ao Pai, tempo de Caridade nas manifestações de interesse e preocupação com o bem dos irmãos e irmãs, buscando dar-lhes condições para que vivam; 
 
- o necessário comprometimento com a Igreja no Brasil em anunciar o Evangelho da Vida e da Salvação, como manifesta neste ano a Campanha da Fraternidade, com o tema “Fraternidade e Vida, Dom e Compromisso” e o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”.
 
Achamos por bem, de acordo com o cân. 87 § 1, reforçar as orientações já estabelecidas no comunicado oficial de 13 de março deste ano e a elas acrescentar o que segue, com validade até o dia 3 de abril de 2020:
 
1. Os sacerdotes ficam obrigados a celebrar a Santa Eucaristia todos os dias na forma “sine populo” (sem a presença do povo), oferecendo-a pelo bem do povo a eles confiado e também na intenção especial pelo fim da pandemia. Desta forma, o Santo Sacrifício não cessará de ser oferecido nos altares de nossas igrejas.
 
2. Os fiéis ficam dispensados da obrigação, prevista no cân. 1247, de participar presencialmente das celebrações da Santa Missa. Portanto, estão dispensados do cumprimento do preceito dominical, podendo cumpri-lo assistindo com devoção e seriedade à Santa Missa, durante este período, pelos meios de comunicação: TV, internet, rádio etc..
 
3. As igrejas permaneçam abertas, limpas e arejadas para a adoração ao Santíssimo Sacramento e exercícios espirituais de forma particular (não em grupos), seguindo as orientações de prevenção: distâncias entre as pessoas, cuidados com a higiene, etc. Recomendamos vivamente a devoção e orações marianas, tais como ladainhas, Santo Rosário, jaculatórias, seja pelos meios de comunicação, seja em família.
 
4. Sejam suspensas todas as formas de aglomeração de pessoas: reuniões pastorais, retiros, festas e outros eventos religiosos. Sejam adiados também os mutirões de confissões.
 
5. Os sacerdotes permaneçam disponíveis para o atendimento particular dos fiéis em confissão, guardando os devidos cuidados para não haver contaminação − sigam as orientações da Vigilância Sanitária.
 
6. Os sacerdotes idosos, com doenças crônicas, façam o sacrifício de se afastarem das aglomerações, não atendam confissões nem visitem enfermos neste período. Os sacerdotes mais novos, guardando os devidos cuidados, continuem a administrar, nos casos realmente graves, a Sagrada Unção dos Enfermos. 
 
7. As secretarias paroquias funcionem com os devidos cuidados, nos horários determinados pelos párocos, e de acordo com as normas emanadas do poder público.
 
8. Recomendamos vivamente a todos os fiéis que permaneçam, dentro do possível, resguardados em seus lares, evitando sair sem real necessidade e aproveitando este tempo para aprofundar a oração, a leitura da Bíblia, a meditação, o Santo Rosário, o diálogo familiar sobre os temas religiosos, fomentando um tempo de catequese familiar como uma pequena Igreja doméstica.
 
Não deixemos, porém, que a pandemia nos arraste para as trevas do medo. Que ela desperte em todos nós o santo temor de Deus, isto é, o sentido da minha responsabilidade, pois tenho que responder diante de Deus pelo que faço com a minha vida e com a vida dos meus irmãos. 
 
Imploramos as bênçãos de Deus sobre toda a Arquidiocese de Goiânia. 
 
 
Dom Washington Cruz, CP
Arcebispo Metropolitano de Goiânia

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