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Escrito em 18/09/2018

África: Milhões prontos para sair

Na região subsaariana havia 500 milhões de pessoas em 1990; hoje, um bilhão. O número de migrantes também subiu de 15 para 25 milhões

Pedro Miskalo

Pedro Miskalo

Revista Mundo e Missão

Quais são as causas estruturais da migração? Em primeiro lugar, o fortíssimo crescimento populacional. Na região subsaariana havia 500 milhões de pessoas em 1990; hoje, um bilhão. O número de migrantes também subiu de 15 para 25 milhões. Isso significa que 2,5% dos habitantes deixaram seu país. Em 2050, a população subsaariana dobrará novamente em 2,2 bilhões, dos quais mais da metade estarão em idade ativa (entre 15 e 64 anos).
 
“Se a tendência de deixar o país permanecer a mesma dos últimos anos (2,5% da população), o número de migrantes internacionais saídos da África subsaariana aumentará de 25 para 54 milhões até 2050”, lê-se no recente documento publicado pelo ISPI, instituto italiano para os estudos de política internacional.
 
Uma das prioridades da União Europeia é evitar que isso aconteça, ou desencorajar as partidas. Além dos bloqueios nas fronteiras, a estratégia inclui repatriamento e ajuda ao desenvolvimento local. Contudo, a repatriação é complicada e a ajuda ao crescimento enfrenta contradições. Se isso acontecer, em países pobres, pode incentivar as emigrações. Ou seja: ao aumento da renda está ligado à vontade de emigrar. Parece um paradoxo, mas quase todos os especialistas concordam. O impulso a emigrar é reduzido apenas quando a renda per capita dos habitantes ultrapassa um patamar entre 7 mil e 9 mil dólares anuais. Na África Subsaariana, onde em 2016 a renda média era inferior a 3500 dólares por ano, os incentivos para emigrar continuam muito alto.
 
Revista Mundo e Missão – setembro 2018 – ano 25, nº 225, p.8

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