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Escrito em 10/08/2018

Nativos Masai sob abusos e perseguições

A situação, denunciada no passado pela Survival International, agora está no centro de um relatório do Oakland Institute, um centro californiano de estudos

Pedro Miskalo

Pedro Miskalo

Revista Mundo e Missão

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Para favorecer o turismo dos safáris, o governo da Tanzânia está expulsando de suas terras ancestrais milhares de “filhos da savana”, como são chamados os Masai, que hoje se encontram sem teto e em risco de morte pela fome. Na região de Loliondo, no norte do país, diversos vilarejos masai são arrasados e milhares de nativos são retirados à força. A situação, denunciada no passado pela Survival International, agora está no centro de um relatório do Oakland Institute, um centro californiano de estudos. “As habitações masai foram queimadas e seus rebanhos foram dispersos por ordem do governo, a fim de preservar o ecossistema e atrair mais turistas”, consta do documento. “O acesso a pastagens e a espelhos d’água estão proibidos aos masai”.
 
Estes criadores transeuntes de gado enfrentam intimidações, capturas e ataques físicos causados por duas sociedades estrangeiras que atuam na região de Loliondo, uma reserva natural a leste do parque de Serengeti. Trata-se da Tanzania Conservation Ltd (TLC), uma empresa de safári, administrada pelos proprietários da Thomson Safaris, de Boston, e a Ortello Business Corporation (OBC), baseada em Dubai, nos Emirados Árabes, “que organiza excursões de caça para a família real do Emirado e de seus hóspedes”, escreve o instituto californiano. A OBC obteve uma licença de caça exclusiva por 25 anos, “durante a qual aconteceram diversas “caças” à tribo masai, com muitas habitações queimadas e milhares de animais raros mortos”, garante o centro de estudos de Oakland. Ativistas pró-masai garantem que o governo tanzaniano continua a diminuir as áreas dos masai, tornando ilegal a pastagem dos rebanhos e o cultivo do solo, a fim de abrir mais espaço a turistas estrangeiros. No século passado, uma série de leis em favor da “conservação” da natureza no norte da Tanzânia resultou em fome e doenças entre os masai, especialmente entre as crianças, salienta o Oakland Institute, afirmando que o seu estudo é “o primeiro a revelar a cumplicidade entre o governo e sociedades estrangeiras”. “Isto não é conservação. É a completa destruição e devastação das vidas dos guardiões nativos da terra”, argumentou a coautora do relatório, Elizabet Frazer. Os interesses são outros: o turismo é um setor de peso para a economia da Tanzânia. Ele tem uma renda equivalente a dois bilhões de dólares por ano no país.
 
Revista Mundo e Missão – agosto 2018 – ano 25, nº 224, p. 13

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