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Homilias

Escrito em 05/12/2019

Homilia em ação de graças pelos 80 anos de vida e 50 de sacerdócio do Pe. Alaor Rodrigues

Os cinquenta anos de sacerdócio que recordamos nos reportam àquele momento em que o nosso irmão, Pe. Alaor iniciou um novo relacionamento com o Senhor e com os irmãos.

Homilia em ação de graças pelos 80 anos de vida e 50 de sacerdócio do Pe. Alaor Rodrigues
Quarta-feira da 1ª Semana do Advento
Is 25, 6-10ª/Sl 22/Mt 15,29-37
04/12/2019
 
As leituras de hoje me fizeram lembrar um filme, baseado em uma novela, intitulada: “O festim de Babette”. Uma mulher que havia fugido da revolução francesa e havia sido acolhida por uma comunidade protestante, num país do norte da Europa. Eles eram gente boa, porém viviam tristes, porque não conseguiam querer bem uns aos outros totalmente.
 
Pois bem, aquela mulher um dia ganhou na loteria. E o que fez? Gastou tudo para preparar um banquete suculentíssimo que transformou o coração de todos os habitantes da aldeia. Tinha muito talento e ao seu talento se uniu a fortuna. Na verdade tudo o que recebeu usou para fazer mais feliz a vida dos seus próximos.
 
Nas leituras de hoje também se fala de banquetes. Isaías nos remete a um banquete que haverá no final dos tempos e que é uma imagem da paz universal que o Senhor nos dará. As imagens aludem ao desaparecimento de toda dor. O Senhor com ricos manjares mostrará sua proximidade aos homens que poderão compartilhar a vida definitiva com Ele. É toda uma figura do céu. O banquete, comer juntos, evoca também a felicidade da amizade. Agrada-nos permanecer com as pessoas que queremos e não poucas vezes o fazemos ao redor de uma mesa. Quanta gente nestes dias já  estão pensando nas mesas fartas que terão nas festas natalinas! Algumas com os familiares e outras com os colegas de trabalho ou amigos. Os alimentos postos em comum simbolizam a união da amizade.
 
O banquete eterno é antecipado num outro. Vemo-lo no evangelho de hoje. Jesus alimenta a multidão faminta que o segue, mediante um milagre no qual multiplica os pães e os peixes. É uma figura da Eucaristia. Jesus os alimenta porque se compadece deles e não quer despedi-los com fome. De alguma maneira quer prolongar sua companhia comendo com eles. Na Eucaristia o Senhor prolonga  diariamente sua presença conosco no chamado “sagrado banquete”. Jesus lhes dá de comer, porém, sobretudo, lhes mostra seu afeto. O texto que ouvimos diz que o Senhor realizava milagres: “Numerosas multidões aproximavam-se dele, levando consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros doentes. Mas não bastam esses sinais para expressar seu amor aos homens. Deus não vem ao mundo apenas para solucionar os problemas ou frear os efeitos do mal. Não. Há algo mais. Ele quer estar conosco. É por isso que manda que se sentem na relva. Que ordem tão bonita: quer que estejam sentados para estar com eles, para permanecer juntos naquele lugar, para dar-lhes de comer.
 
Meditando sobre estes textos podemos descobrir coisas interessantes para nossa vida espiritual. Talvez, em certas ocasiões façamos coisas boas em favor dos outros, porque sentimo-nos, de certa forma, obrigados, mas não temos tanto a experiência de se comprazer por estar ao lado do outro. O verdadeiro amor, que nos é dado por Deus, nos leva não só a querer o bem do nosso próximo, mas também a se alegrar com a sua presença. Parece que algo disto há na vida eterna: alegrar-nos todos na presença de Deus.
 
Queridos irmãos e irmãs, estamos celebrando hoje um banquete singular, igual e bem diferente dos banquetes comuns. O Pe. Alaor Rodrigues de Aguiar, hoje, completa 80 anos e, no dia 17, seus 50 anos de ordenação presbiteral, isto é, seu jubileu áureo sacerdotal. Como as duas datas são próximas, uma da outra, optamos por comemorá-las nesta única celebração. Oitenta de vida, cinquenta anos de sacerddócio são datas memoráveis.   Alegremo-nos com ele: é festa.
 
Era mais do que necessário um reconhecimento público à dedicação de alguém, que hoje octogenário, assumiu para si, há cinquenta anos, todos os sacrifícios que a vida presbiteral impõe. Desejo, antes de tudo, precisar algo muito importante que trago sempre no meu coração: os nossos aniversários ou são momentos verdadeiros ou não são momentos dignos de serem vividos. Sobretudo, o jubileu sacerdotal não é apenas uma festa pessoal, mas é um momento de festa para todo o presbitério. 
 
Ocorrências como estas sempre mais devem ser acolhidas numa perspectiva presbiteral e eclesial, que interessa a Igreja particular e a Igreja inteira, portanto, como tais, devem ser compreendidas e vividas. O próprio rito da ordenação evoca tudo isto: o sacerdócio no segundo grau não se pode imaginar fora da comunhão com o bispo e com os coirmãos - presbíteros - com os quais compartilha o único sacerdócio. E isto não é mera questão de direito canônico.
 
Os cinquenta anos de sacerdócio que recordamos nos reportam àquele momento em que o nosso irmão, Pe. Alaor iniciou um novo relacionamento com o Senhor e com os irmãos.
 
O jubileu é um momento de graça que serve para verificar se, em nós, está viva tal consciência. E, assim, no momento em que celebramos esse aniversário manifestemos o nosso agradecimento ao Senhor por uma graça que nos foi dada de modo totalmente gratuito e imerecido.
 
Com a ordenação sacerdotal, de fato, fomos colocados não apenas na Igreja, mas também como pastores da Igreja (cfr. Pastores dabo vobis, n.16); assumindo uma nova e real semelhança com Jesus cabeça e esposo da Igreja, tornando-o presente entre os irmãos.
 
No aniversário da ordenação o sacerdote é chamado, antes de tudo, a expressar, sem dissimulações, a alegria de ser padre. Além disso, o jubileu sacerdotal compartilhado, celebrado e festejado com o bispo e os próprios irmãos, manifesta a alegria de ser padre junto com eles. 
 
A relação com o primeiro se exprime, durante o rito da ordenação, no gesto do bispo que impõe as mãos sobre a cabeça do ordinando e constitui o novo presbítero e depois na promessa de obediência que o presbítero faz, livremente, ao seu bispo e aos seus sucessores, porque nele vê Cristo. A relação com os irmãos presbíteros se exprime quando eles impõem, por sua vez, as mãos sobre a cabeça do novo irmão e o fazem em sinal de acolhida no único presbitério diocesano.
 
Lembrar-se de tudo isso significa ter em si vivos os fundamentos eclesiais do sacerdócio. Quer dizer manter vivo, em si, o sensus Ecclesiae ou o sensus communionis, que não basta conhecer teologicamente, mas deve ser vivido no concreto do dia a dia.
 
Passadas as festividades, o Pe. Alaor Rodrigues de Aguiar Silva continuará a mesma pessoa de sempre, cuja característica maior, além do zelo pastoral, é certamente a simplicidade e o amor aos pobres.
 
Quantos fatos sucederam-se por este mundo afora nesses oitenta ou cinquenta anos? Quantas revoluções e transformações na História e na Geografia, nas Ciências em geral e no comportamento humano? 
 
Entretanto, o Pe. Alaor não mudou. Com seus oitenta anos de vida e seus cinquenta anos de padre, vem sendo fiel, toda a vida, aos seus ideais, aos seus princípios, ao seu ministério e ao seu presbitério. Ainda que, uma ou outra, vez possa pensar diferente, o que é perfeitamente lícito, nunca se isolou do bispo e do presbitério, pelo contrário, conversa com todos, tem amor a todos e se preocupa com qualquer colega que esteja enfermo ou, por algum motivo, necessitado de ajuda, qualquer que seja a chamada “linha pastoral” do colega. 
 
Querido irmão, Pe. Alaor: Glória a Deus nas alturas, pela vocação plantada em seu coração, alimentada diariamente pela força da Eucaristia e cultivada com apreço desde os tempos de sua mais tenra mocidade! Ao senhor que cotidianamente se doou no ministério que lhe foi confiado pelo Bom Pastor, a nossa gratidão por todo o bem que quer e por todo serviço prestado, desde 1974, à Igreja, especialmente nas periferias geográficas e existenciais desta nossa querida Arquidiocese de Goiânia. Agradecemos-lhe também esta oportunidade de testemunhar sua dedicação à causa do Evangelho e, junto com isso, nos beneficiarmos dos frutos das sementes plantadas. 
 
Reitero, como Arcebispo da Arquididocese de Goiânia, as minhas felicitações, muito cordiais e amigas, por estas datas tão significativas e carregadas de tantas recordações, na consciência do dever cumprido e das próprias fraquezas. Agradeço o seu esforço de fidelidade a Cristo e à Igreja, que o chamou e consagrou pelo Sacramento da Ordem. Com certeza, olhando para trás, o senhor se lembra, com saudade e alegria, seus queridos pais: José Rodrigues Aguiar e Maria Fidelis de Aguiar, e de seus avós, pelos quais queremos rezar nesta santa Missa. 
 
Rezamos também por seus irmãos  falecidos José Arnaldo, Carlos e Francisco. Felicito suas irmãs Mirtes e Anésia, seus irmãos Jairo e Ozanam, seus tantos sobrinhos, bem como os demais familiares. É incontável a multidão de seus amigos e conhecidos, espalhados por toda a Arquidiocese, pelo Brasil e por tantos países. Agradeço a eles o carinho, a amizade e o respeito que têm pelo senhor. Agradeço-lhes também toda a colaboração e ajuda, na sua vida pessoal e pastoral, em todas as comunidades por onde o senhor passou, ou noutros serviços eclesiais ao senhor confiados. Caro irmão, Pe. Alaor, com certeza o bispo que o ordenou, e os meus predecessores, Dom Fernando e Dom Antonio, dos quais o senhor sempre esteve tão próximo, participam no céu das alegrias deste dia. Sou-lhe grato pela atenção, paciência e perdão que me tem reservado nestes já 17 anos e meio de pastoreio. 
 
Faço votos que continue sendo muito feliz em sua vida e no exercício do seu ministério, certo de que o Povo de Deus precisa do seu testemunho de alegria, acolhimento,  diálogo, bondade, serenidade e paz interior.  
 
Meus irmãos e minhas, é preciso acreditar que os sacerdotes são importantes não tanto pelo que dizem ou fazem, mas, sobretudo, pelo que são. É preciso reavivar e testemunhar o dom sublime do sacerdócio, na alegria da sua beleza e de seu encanto. Este é, sem sombra de dúvidas, o segredo autêntico da pastoral juvenil e vocacional. A alegria dos sacerdotes gera novas vocações! 
 
Que a Virgem Maria nos ajude a purificar nosso coração para receber o Senhor e acolher sua salvação. Confio a ela, Rainha dos Apóstolos, a sua pessoa e todos os nossos padres e diáconos, os nossos Seminários, os jovens em discernimento vocacional.  
 
Que durante este Ano duplamente Jubilar de Graça e de bênção, o senhor viva com renovado empenho, o amor ao sacerdócio e à missão que Cristo Pastor lhe confiou, ao serviço da Igreja e da Humanidade. Amém!
 
 
 
Bem-vindos!

Bem-vindos!

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