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Homilias

Escrito em 02/02/2020

Apresentação do Senhor - Ordenação diaconal de Saulo Ribeiro

Irmãos e irmãos, nesta celebração eucarística, oferecemos e recebemos, com alegria e gratidão, um particularíssimo “dom da graça”, para a Igreja.

Apresentação do Senhor - Ordenação diaconal de Saulo Ribeiro

Apresentação do Senhor
(Ml 3, 1-2/Sl/23/Hb 2,14-18/Lc 2,22-40)
02 de fevereiro de 2020

Ordenação Diaconal do Saulo Ribeiro
A apresentação e o anúncio da Cruz

A festa de hoje convida-nos a acompanhar Nossa Senhora e São José que, como diz o Evangelista São Lucas: “quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho conforme a Lei de Moisés, levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor Conforme está escrito na Lei do Senhor”.

Nossa Senhora fez isso, com grande humildade, acompanhada de São José, não achou que estava dispensada de cumprir a lei por ser a Mãe do Filho de Deus, e fez exatamente o que todas as outras mães faziam. E com isso ensina-nos a respeitar as leis e a cumprir todos os nossos deveres profissionais, cívicos e quaisquer outros, com naturalidade, pontualidade e rigor, sem nos desculparmos, sem nos dispensarmos.

2. Entretanto, como Jesus era o seu primeiro filho (e único), também estava obrigada a outro preceito da Lei, como se diz num texto do Êxodo citado por São Lucas: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor” (Lc 2, 23). Havia, portanto, o dever de o “resgatar”, para deixar de estar consagrado e ser uma criança “normal”, o que se fazia mediante uma oferta de cinco ciclos, que podia ser dada a qualquer sacerdote, em qualquer parte de Israel, e não apenas no Templo. Isto, em memória perene de que, na época do êxodo Deus salvou os primogênitos dos judeus (Ex 13,11-16). Nossa Senhora e São José cumpriram certamente esta obrigação, mas São Lucas não nos diz quando nem onde. No entanto, sabemos que o fizeram, porque o Menino Jesus não viveu no Templo, mas na sua aldeia de Nazaré como uma criança igual às outras. Não era um “consagrado”, era um menino “normal”, como um menino de qualquer outra família da nação judaica.

Foram estes os dois deveres impostos pela Lei, que Maria e José cumpriram com toda a fidelidade.

Mas, além de tudo isto, Nossa Senhora e São José conheciam muito bem o segredo divino daquele Menino. Atrevo-me a pensar que quiseram aproveitar aquela ida ao Templo para dizerem a Deus Pai: Aqui está o Teu Filho. Só Tu sabes quando e como se vai cumprir a sua missão. Que todos, nesse dia, o acolham e o amem. Mas nós estamos disponíveis a fazer o que for preciso. Podes contar conosco, Senhor, o nosso sim é o mesmo da primeira hora.

3. São Lucas conta-nos ainda que à espera do Menino estavam duas pessoas de grande fé, Simeão e Ana, que o recebem cheios de alegria, e não apenas em seu nome. Com eles, “é toda a expectativa de Israel que vem ao encontro do seu Salvador” (Catecismo da igreja Católica, n. 529).

Naquela hora realizou-se alguma coisa a mais do que a observação de uma das normas da Lei. Se nem todos os presentes no Templo se dão conta disto, há um homem, porém, que está completamente consciente do mistério. Este homem, impelido pelo Espírito, veio ao Templo (Lc 2, 27). “Era justo e piedoso e o Espírito Santo estava nele”. (Lc 2, 26). Assim escreve sobre Ele o evangelista. Se, portanto, este homem, de nome Simeão, decifrou até ao fundo o significado do acontecimento, que naquela altura se efetuava no Templo de Jerusalém, o fez porque “o Espírito Santo lhe havia revelado que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor” (Lc 2, 26).

“Simeão vê e anuncia que aquele Menino primogênito, que Maria e José ofereceram a Deus naquele momento, é portador de uma grande luz, que Israel e a humanidade inteira esperam: “Luz para iluminar as nações e glória de Israel, Vosso povo” (Lc 2, 32). Simeão pronuncia estas palavras em profundo êxtase. É o dia maior da sua vida; depois de o viver, pode agora tranquilamente deixar este mundo. Mais, pede isto mesmo a Deus, segurando no colo o Menino que tomou de Maria e José: “Agora, Senhor, podeis deixar o Teu servo partir em paz, segundo a tua palavra, porque meus olhos viram a Salvação, que preparaste em favor de todos os povos (Lc 2, 29-31”. (São João Paulo II), 2/02/80).

Hoje, queremos acolher Jesus, recebê-Lo com toda a alegria, na sua Palavra e, de modo especial, na sagrada Eucaristia. A sua presença é luz que nos ilumina e dá sentido à nossa vida. De um modo especial, Jesus está ao nosso lado nas horas de prova e sofrimento, porque sabe muito bem o que isso é. Como diz a Carta aos Hebreus, “porque Ele próprio foi provado pelo sofrimento, pode socorrer aqueles que sofrem provação” (Hb 2.18).

“De fato, diz São João Paulo II: aquele que naquele momento era levantado pelos braços do Velho Simeão estava destinado a ser sinal de contradição (Lc 2, 34). E esta contradição estará cheia de sofrimento que não poupará nem sequer o coração de Sua Mãe: “Uma espada trespassará a tua alma” (Lc 2, 35)”. A vida de Jesus contava apenas 40 dias. Mas “as palavras de Simeão revelam o conteúdo desta vida até ao fim e levam em si o anúncio da Cruz. O anúncio pertence à plenitude do mistério de consagração de Jesus no Templo”.

4. Nenhum de nós conhece o futuro, mas todos nós podemos renovar nossa disponibilidade cheia de fé e de esperança. Sugiro que cada um de nós aproveite este dia para se “apresentar” diante de Deus com toda a simplicidade e confiança: “Senhor, aqui estou, como o teu Filho Unigênito. Ele é “perfeito Deus e perfeito homem”, e eu, pelo contrário, conheço bem as minhas limitações e imperfeições. Mas podes contar comigo. Diz-me o que esperas de mim. Mostra-me mais claramente como Te posso servir. E dá-me sempre a luz do teu Espírito, por intercessão de Maria, para que cumpra com amor a tua vontade, e realize no mundo, ao serviço do teu plano salvador, a missão que me quiseres confiar”.

Irmãos e irmãos, nesta celebração eucarística, oferecemos e recebemos, com alegria e gratidão, um particularíssimo “dom da graça”, para a Igreja.
É um dom que o Senhor, desde os tempos apostólicos, jamais deixou faltar à sua esposa, a Igreja, e que é, portanto, parte integrante daquela grande “Tradição”, que caracteriza a história, o caminho e, mais profundamente, o próprio rosto da comunidade da comunidade cristã.

Através do gesto da oração e da imposição das mãos, estarei inserindo o acólito Saulo Ribeiro no primeiro grau do sacramento da Ordem, o Diaconado, que o configurará a Jesus Cristo, aquele que serve por amor. Aos ministros ordenados, e, portanto, também aos diáconos, compete um lugar e um serviço específicos e insubstituíveis na evangelização e transmissão da fé.

Você, caro irmão Saulo, recebe hoje um dom e uma tarefa peculiares dentro do povo de Deus e a seu serviço. Em comunhão com o Bispo e com o presbitério, você é constituído na Igreja sinal vivo de Jesus, Senhor e Servo de todos e, como tal, é consagrado e enviado para o serviço da comunhão eclesial mediante o exercício do ministério da Palavra, da liturgia e da caridade.

Que a Palavra de Deus, que ouvimos, ilumine sua mente, fazendo-o penetrar na verdade mais profunda deste momento de graça.

Estando a caminho da ordenação presbiteral, você se compromete com o celibato que faz do ministro ordenado “o esposo preparado para a esposa”, a Igreja.

A apresentação de Jesus no Templo tem um profundo significado simbólico.  A Carta aos Hebreus insiste:
Jesus Cristo, “tendo ele próprio sofrido ao ser tentado, é capaz de socorrer os que agora sofrem a tentação... e libertar os que por meio da morte, estavam a vida toda sujeitos à escravidão” (4,15). É este um extraordinário motivo de confiança em Jesus Cristo, na sua ajuda onipotente, na sua mediação em que concilia a misericórdia para conosco e a fidelidade para com o Pai, na sua missão de expiar os pecados do povo (v. 17).
Caro Saulo, o mundo não precisa de nós, precisa de Jesus, precisa de Deus. No entanto, Deus nos quis associar ao seu plano de salvação.

Na primeira aliança, o povo esperava o Messias com ansiedade, tal como ouvimos na leitura do profeta Malaquias: “Logo chegará ao seu templo... o Anjo da Aliança, que desejais encontrar”.
Como ficaram contentes Ana e Simeão ao contemplar “este Anjo da Aliança” no Templo de Jerusalém!

Caro Saulo, a Igreja é santa, ainda que haja cristãos, ordenados ou não, que a mancham com escândalos e pecados.

Confie na presença maternal de Maria Santíssima que também se ofereceu no Templo com Jesus, para com Ele colaborar na obra da redenção. Ela, Senhora da Luz, Senhora da Fé, o encaminhe para Jesus que o tornará imensamente feliz agora e sempre.

Amém.

Bem-vindos!

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