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Homilias

Escrito em 11/12/2019

Solenidade da Imaculada Conceição na Catedral de Nossa Senhora Auxiliadora, Ordenação presbiteral de cinco diáconos

Prezados diáconos, chamados e apresentados para serem presbíteros da Igreja, vocês também são uma benção para a nossa Igreja.

Solenidade da Imaculada Conceição na Catedral de Nossa Senhora Auxiliadora, Ordenação presbiteral de cinco diáconos

Diácono Diêmersom Bento de Araújo, filho de Geraldo Bento de Castro e Eunice Francisca de Araújo Bento.

Diácono José Victor Cabral Dutra, filho de Divino José de Oliveira Dutra e de Valdete Cabral Cezeder Dutra.

Diácono Marcos Paulo Vilela de Assis, filho de Aquiles Francisco de Assis e de Elizeth Rocha Vilela de Assis.

Diácono Thiago Martins Borges, filho de Adão Donizete Martins Borges e Denize Rodrigues Menezes Borges.

Diácono Vilmar Antônio Barreto, filho de Otaviano Antonio Barreto e Maria Francisca Barreto.
 
07/12/2019

Meus irmãos e minhas irmãs, nas origens, segundo a Revelação Divina, o homem, chegado ao limiar da inteligência, da liberdade e da responsabilidade, desviou-se do projeto de Deus e quis fugir da presença do seu Criador: teve medo e escondeu-se. Adão foge de Deus, não confia em Deus. Tendo ouvido as palavras da serpente, alimenta a suspeita de Deus, vê nele um concorrente. Tenta se desculpar, acusando a mulher, e esta acusou a serpente. A resposta divina não se fez esperar: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência (o descendente) dela” (Gn 3, 15).

No mesmo instante, em que o mal manifesta suas consequências, Deus revela ao homem a sua infinita misericórdia, condenando não o homem, mas o mal simbolizado pela serpente. Deus promete a salvação definitiva contra o pecado e a morte: da descendência da mulher virá o Redentor, filho da nova Eva, nome que significa a mãe dos viventes. Em Maria, a promessa se faz realidade. Ao convite do anjo, aquela que fora revestida da graça antecipadamente, em previsão dos méritos de Jesus Cristo, reverterá o não que a primeira Eva disse a Deus com o pecado original.

E “na plenitude dos tempos, Deus enviou o seu mensageiro a anunciar a uma mulher o cumprimento da promessa da redenção: “Não tenhas medo, Maria!” “Eis que conceberás e darás à luz um Filho a quem porás o nome de Jesus” (Lc 1,30-31). E Maria, a “cheia de Graça” (saudada pelo Anjo) responde: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

No seu “sim” incondicional a Deus a humanidade inteira se vê representada. Por meio dela, vem a nós aquele a quem o livro do Apocalipse chama de “O vivente”, Jesus Cristo, o Verbo eterno que, vindo ao mundo, diz: “Eis que venho, ó Pai, para fazer tua vontade”. No encontro destes dois “sim” se realiza a salvação de Deus.

As leituras desta Missa convidam-nos, antes de mais, a contemplar em Maria a beleza da santidade que nos torna semelhantes a Deus. Com as palavras da saudação do anjo, que todos os dias repetimos, meditemos nesta imagem exemplar de beleza o que Maria nos propõe:

Ave Maria cheia de Graça.

Ela é a cheia de graça porque não colocou nenhum obstáculo à ação de Deus e se deixou moldar totalmente pela santidade divina.

“Bendita sois vós entre as mulheres”, assim a saúda Isabel.

As palavras do anjo, na anunciação, e as de Isabel, na visitação, convidam-nos a louvar a Deus e a contemplar as maravilhas que Ele realiza em Nossa Senhora e em todos os que amam os seus caminhos. A atitude de louvor e de gratidão é a expressão do crente que sabe descortinar, no meio de tantas desgraças e males do mundo, os dons de Deus que enchem e enriquecem a nossa vida. Nossa Senhora é portadora do dom de Deus por excelência, Jesus Cristo.

 “Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”.

São Sofrônio Bispo do séc VII comenta: “Verdadeiramente bendita sois vós entre as mulheres porque por meio de vós brilhou sobre os homens a bençâo do Pai (…) porque permanecendo Virgem produzistes aquele fruto que derrama a sua bênção sobre toda a terra”.

Jesus, concebido no seio de Maria, poucos dias antes, é saudado por Isabel como uma fonte de bênção. Ele é a grande fonte de bênçãos para toda a humanidade.

Com Isabel e com toda a Igreja contemplamos este milagre da vida gerada no seio de Maria que vêm trazer a luz que ilumina as nações e é glória para todo o Israel.

Prezados diáconos, chamados e apresentados para serem presbíteros da Igreja, vocês também são uma benção para a nossa Igreja. O texto da carta aos Efésios que ouvimos nesta celebração afirma: “Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito em virtude da nossa união com Cristo, no céu”.

Vocês têm na Mãe de Jesus o exemplo e modelo de serva (de Deus e da humanidade). Se aqui vocês estão, se daqui a pouco vocês se prostrarão ao canto das Ladainhas, é porque, como o de Maria, os seus corações foram atraídos pelo coração de Deus, por Deus amor, sempre vivo, irradiante e total.

Caro Diácono Diêmerson, o sacerdócio é “dom e mistério” como escreveu São João Paulo II.  Dom gratuito de Deus, que ninguém merece, por melhor que seja, e a quem ninguém tem direito. Mistério do encontro mais profundo e mais decisivo de Deus com o homem, a ponto de o tomar na totalidade de seu ser para que se torne plenamente seu, com vontade e liberdade, para lhe entregar tudo sem reservar nada para si mesmo. É a configuração com Cristo, o Sumo e Eterno Sacerdote, Aquele que tudo recebeu do Pai e tudo entrega ao Pai, o Seu Corpo e o Seu Sangue, a sua vontade e a sua liberdade.

A graça do celibato significa isso mesmo e dará ao seu ministério a totalidade do amor e da entrega, assinalando junto daqueles que servirá que realmente, definitivamente, “só Deus basta”. Neste sentido, a vida celibatária faz do ministro ordenado “o esposo preparado para a esposa”, a Igreja.

Caro Diácono José Victor, faz-nos bem recordar que precisamos de padres, que não sejam “vedetes” que nos cegam, mas “estrelas” que nos guiam, no caminho da esperança. Santa Teresa de Calcutá sempre dizia: “Deus não nos chamou para o sucesso, mas para ser Fiel”. E, sobretudo, precisamos de padres, que, pela sua própria vida, toquem o coração dos irmãos com a ternura de Deus, façam o céu descer até nós e nos preparem para recebê-lo de braços abertos. Um padre, ungido do Senhor, é chamado a sair de si mesmo, a derramar o óleo da consolação e o vinho da esperança, sobre as feridas e os feridos do Seu povo. Você sabe que o amor de Deus ganhou rosto e figura em Jesus de Nazaré, o Cristo de todos e para todos. É essa, aliás, a qualidade do amor, que sempre e de algum modo se configura com quem ama.

Caro Diácono Marcos Paulo, um dia um bispo perguntou a um aluno de certo colégio, o que lhe fazia lembrar o padre, que passava, pelos corredores da casa, ou entretido no recreio. Respondeu: “quando vejo, por aí o Padre, lembro-me que Deus existe e anda no meio de nós”. Diria que o rapaz viu no padre, não uma imagem do passado, mas o sinal do nosso futuro definitivo! Viu no padre, o vislumbre do mundo novo, que há de vir!

O Padre não precisa, por assim dizer, ter um lugar de destaque e um futuro garantido, na sociedade, porque “a porção da sua herança é o Senhor” (Sl 15,5). E isto parece desafiar-nos, a assumir a missão do Padre, como a de alguém que não se pertence, que não dispõe de si para si, que não tem “uma agenda a defender” e, neste sentido, os padres podem comparar-se a “homens sem fuso horário / homens agitados, sem bússola onde repousem” (Daniel Faria).

 Caro Diácono Thiago Martins, você e seus colegas são ordenados na Solenidade da Imaculada Conceição. As palavras elogiosas de Isabel a Maria em sua Visitação vai muito além do que Isabel podia imaginar. Maria é “bendita entre todas as mulheres”, pois nela “o Senhor fez maravilhas”. O louvor que brota do Coração Imaculado de Maria revela a gratidão infinita de quem se sente objeto da infinita generosidade de Deus: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador; porque ele olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1, 48-49). Também vocês, queridos diáconos, com certeza, estão elevando hoje seu próprio Magnificat de gratidão por todo o bem que o Senhor lhes concedeu.

Caro Diácono Vilmar Antônio, o Papa Francisco escreveu uma carta aos padres do mundo inteiro, em agosto próximo passado, para comemorar os 160 anos da morte de São João Maria Vianney, o santo Cura d’Ars. Entre outras coisas, o Papa fala aos sacerdotes da devoção mariana:

“É impossível falar de gratidão e encorajamento sem contemplar Maria. Ela, mulher do coração trespassado (cf. Lc 2, 35), ensina-nos o louvor capaz de abrir o olhar para o futuro e devolver a esperança ao presente. Toda a sua vida ficou condensada no seu cântico de louvor (cf. Lc 1, 46-55), que somos convidados, também nós, a entoar como promessa de plenitude.

Sempre que vou a um santuário mariano, diz o Santo Padre, gosto de “ganhar tempo”, contemplando e deixando-me contemplar pela Mãe, pedindo a confiança da criança, do pobre e da pessoa simples que sabe que ali está a sua Mãe e pode mendigar um lugar no seu regaço. E enquanto A contemplo, apraz-me ouvir mais uma vez como o índio João Diego: “Que tens, meu filho pequenino? O que é que entristece o teu coração? Porventura não estou aqui Eu, que tenho a honra de ser tua mãe?”

Caros sacerdotes, diz ainda o Papa, não esqueçamos que o Senhor Jesus, na hora de sua Cruz, recomendou a sua Mãe a um discípulo, escolhido para ser sacerdote e que no dia anterior recebera a missão de celebrar o banquete eucarístico (Jo 19, 25-27).

Cristo quis estabelecer uma relação mais íntima entre Maria e cada sacerdote. Em João, o discípulo amado, e cada sacerdote recebeu do Senhor a missão de testemunhar a Nossa Senhora um amor filial, o mais possível semelhante ao seu. Dentre os deveres, que Cristo recomendou a cada sacerdote, está a responsabilidade pastoral de promover e incrementar a piedade filial mariana e o culto à Santíssima Virgem Maria”.

Caros irmãos presbíteros, o Papa emérito Bento XVI ensina que Maria vive da palavra de Deus, é inundada pela palavra de Deus. E este estar imersa na palavra de Deus, este ser totalmente familiar com a palavra de Deus dá-lhe também a luz interior da sabedoria. Quem pensa com Deus pensa bem, e quem fala com Deus fala bem. Tem critérios de juízo válidos para todas as coisas do mundo. Torna-se sábio, prudente e ao mesmo tempo bom. Torna-se também forte e corajoso, com a força de Deus, que resiste ao mal e promove o bem no mundo. (15/08/2005).

Queridos ordinandos, como o apóstolo João, levem Maria para a sua casa e mergulhem nas profundezas de seu Coração Imaculado, para que nesse Coração que pertence todo ao Senhor e que transborda de amor pelo Senhor, vocês possam conhecer e amar sempre mais a Jesus. Maria é Mãe de vocês e vocês são seus filhos. Vivam essa relação, materno-filial, para se tornarem sempre mais semelhantes a Cristo.

Guiados por Maria, havemos de ter a coragem de nos centrar continuamente em Deus e na sua graça mais do que no desejo de salvarmos o mundo com as nossas próprias capacidades e forças.

Havemos de renunciar a um ativismo estéril, para privilegiar a ação de Deus em nós e na sua Igreja por meio do Seu Espírito.

Havemos de dedicar-nos totalmente à missão que nos foi confiada e de fazer dela lugar e meio de santificação pessoal e comunitária.

Não permitiremos que se apodere de nós o vazio espiritual, pois nessa altura correremos sem rumo à procura de satisfações humanas ou de uma realização pessoal que somente na fidelidade ao nosso coração indiviso e sintonizado com o Coração de Jesus podemos encontrar.
Queridos diáconos, enquanto presbíteros, ou somos homens espirituais, verdadeiros homens de Deus, de coração aberto, como Igreja em saída, ou nos tornamos estorvos à ação salvífica de Deus.

Deem, por isso, grande espaço e tempo a Deus, na liturgia, na oração, na meditação da Palavra, na celebração da Reconciliação, na adoração da Eucaristia, na piedade mariana. Por isso caríssimos ordinandos, cultivem antes de mais, e sempre a amizade com Deus, que tudo garante e sustenta e é a verdadeira fonte da missão da Igreja. “Sei que não é fácil manter-se fiel a estes encontros cotidianos com o Senhor, sobretudo hoje que o ritmo da vida se fez frenético e as ocupações absorvem em medida cada vez maior. Todavia temos de nos convencer: o momento da oração é o mais importante na vida do sacerdote, aquele em que a graça divina age com maior eficácia, dando fecundidade ao seu ministério. Rezar é o primeiro serviço a prestar à comunidade. Por isso, os momentos de oração devem ser na nossa vida uma verdadeira prioridade. Se não estivermos em comunhão com Deus, nada poderemos dar também aos outros”.  

Deem também tempo ao acolhimento das pessoas e manifestem disponibilidade para com todos, especialmente para com os mais pobres, os doentes, os desanimados, os vacilantes na fé, os descrentes. No silêncio pacificador da oração e no encontro perturbador com as pessoas vocês sentirão o que é a verdadeira espiritualidade cristã e sacerdotal, que se enraíza em Deus por meio do seu Espírito e se manifesta viva na comunhão com os irmãos no presbitério.

Caríssimos irmãos, o Coração de Jesus e o Coração Imaculado de Maria, sua Mãe, serão sempre o seu refúgio, nos momentos altos de alegria e consolação interior, como nos momentos baixos de sofrimento e de fracasso. Que a Imaculada Conceição, rogue por vocês. Que Ela os livre das insídias do inimigo e os ajude a alcançar a santidade, os proteja e os acompanhe sempre. Aprendam dela, escutem-na. Nunca esqueçam a resposta que Ela deu ao Anjo Gabriel: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa Palavra”.

Que esta ordenação constitua para vocês e para a nossa Igreja Arquidiocesana uma renovada bênção do Divino Pai Eterno.

Ao ensejo, desejo agradecer de coração, em nome da Igreja que está nesta Arquidiocese aos senhores seus pais:

Ao Sr. Geraldo Bento de Castro e a Dona Eunice Francisca de Araújo Bento, pais do Diácono Diêmerson Bento de Araújo.

 
Ao Sr. Divino José de Oliveira Dutra e Dona Valdete Cabral Cezeder Dutra, pais do Diácono José Victor Cabral Dutra. 

Ao Sr. Aquiles Francisco de Assis (in memoriam) e a Dona Elizeth Rocha Vilela de Assis, pais do Diácono Marcos Paulo Vilela de Assis. 

Ao Sr. Adão Donizete Martins Borges e a Dona Denize Rodrigues Menezes Borges, pais do Diácono Thiago Martins Borges.

 E ao Sr. Otaviano Antonio Barreto e a Dona Maria Francisca Barreto, pais do Diácono Vilmar Antônio Barreto.

Enfim, aproveito a presença de tantos jovens, para deixar-lhes uma interpelação vocacional. “Estou certo que Deus hoje, pela ação do Espírito Santo, falou ao coração de muitos aqui e semeou a semente da vocação de consagração na Igreja. Não tenham medo. Não é fácil hoje acolher este apelo. Deus está conosco e acompanha-nos e o Espírito Santo fortalece-nos na resposta aos apelos que Deus nos faz”. Que assim seja!

Bem-vindos!

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